Os fundos de private equity convidam cada vez mais investidores privados e family offices a coinvestir nas suas operações. É uma forma de aceder a negócios de qualidade com custos mais baixos, mas exige saber o que perguntar e o que negociar.
Quando um fundo de private equity compra uma empresa, nem sempre põe todo o capital necessário. Por limites de concentração, por estratégia ou para partilhar risco, convida outros investidores a entrar na mesma operação, ao seu lado. Esses investidores — family offices, empresários, investidores institucionais — são coinvestidores.
Porque é que o coinvestimento atrai investidores privados
- Custos mais baixos. Os coinvestimentos têm, muitas vezes, comissões de gestão e de performance reduzidas ou nulas, face às de um fundo.
- Escolha operação a operação. O investidor decide em que empresa entra, em vez de comprometer capital num fundo cego.
- Acesso a operações profissionais. O fundo encontrou a empresa, negociou, fez a due diligence e vai gerir a participação.
- Aprendizagem. Para family offices que querem desenvolver capacidade de investimento direto, acompanhar um fundo é uma escola.
Os riscos que não aparecem na apresentação
- Seleção adversa. Um fundo oferece coinvestimento nas suas melhores operações — ou naquelas em que precisa de completar o financiamento. Convém perceber porquê.
- Pouco tempo para decidir. As janelas de decisão são curtas. Um investidor sem processo próprio tende a confiar demasiado no trabalho do fundo.
- Pouco controlo. O fundo lidera; o coinvestidor acompanha. As decisões sobre gestão, financiamento e saída são do fundo.
- Concentração. Um coinvestimento é uma aposta numa só empresa. Num fundo, o risco está diversificado.
O que perguntar antes de entrar
- Porque é que o fundo está a oferecer coinvestimento nesta operação?
- Que percentagem do capital do fundo está a ser investida, e em que condições exatas?
- Os coinvestidores entram ao mesmo preço e na mesma classe de ações que o fundo?
- Que comissões e custos se aplicam ao coinvestidor?
- Que informação vai receber, e com que periodicidade?
- O coinvestidor acompanha o fundo na saída, nas mesmas condições?
- Qual é o historial do fundo em operações semelhantes?
Os direitos a negociar
Mesmo sem controlo, o coinvestidor deve garantir um mínimo: entrar nas mesmas condições económicas que o fundo; o direito de acompanhar qualquer venda (tag-along); informação periódica com conteúdo definido; e, em operações maiores, algum direito de veto sobre decisões que alterem materialmente o investimento, como emissões de capital que diluam a sua posição.
Como estruturar uma carteira de coinvestimentos
Para um investidor privado ou um family office, a regra mais importante é a diversificação: várias operações, setores, fundos líderes e anos de entrada diferentes. Um único coinvestimento é um risco concentrado; uma carteira de seis a dez, construída ao longo de alguns anos, aproxima-se do perfil de um fundo com custos mais baixos.
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Perguntas frequentes
Qual é o montante mínimo para coinvestir?
Varia muito. Em operações de média dimensão, os tickets de coinvestimento vão desde algumas centenas de milhares até vários milhões de euros.
Preciso de ser investidor do fundo para coinvestir?
Nem sempre, mas os fundos tendem a oferecer coinvestimento primeiro aos seus investidores. Um assessor com relações com vários fundos alarga o acesso.
Quanto tempo fica o capital investido?
Normalmente o mesmo que o fundo: entre três e sete anos, até à venda da empresa.
